Quarta-Feira, 22 de Julho de 2026

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Treze de Maio / História

Colonização de Treze de Maio monumento aos imigrantes Artigo produzido por Jaison Bez Fontana A HISTÓRIA DE TREZE DE MAIO RESUMO O sul de Santa Catarina é muito conhecido pela grande leva de imigrantes europeus que por aqui aportaram, principalmente de alemães e italianos que, fugidos de uma Europa em crise, rumam para o que pensaram que era a terra prometida. Aqui chegando, os imigrantes foram recepcionados e obrigados a passar por várias situações que nunca dantes tinham sonhado. Os italianos, após desembarcarem em Florianópolis, rumavam para Laguna e por fim Azambuja, de onde se espalharam em diversos vilarejos. Um deles se tornaria mais adiante o município de Treze de Maio. INTRODUÇÃO Pedras Grandes é a "Pequena Itália", Urussanga tem orgulho de sua "Festa do vinho", e muitos outros municípios da região sul de Santa Catarina ainda preservam uma rica tradição herdada de seus antepassados italianos. Isso se deve ao orgulho deles terem sobrevivido à tantas intempéries, tanto naturais quando do governo, que na chegada dos imigrantes os colocaram para dormir junto com as mulas e de os obrigarem a abrir enormes clareiras numa floresta densa, somente usando o machado e rústicas serras para árvores. O que nos tempos de hoje seria uma loucura foi vivenciada por um povo que saiu, quase que fugido, de uma Itália falida, e que oferecia uma nova oportunidade de vida no Novo Continente. Vendido o que tinham, aqui chegaram com minguados bens e muita vontade de vencer, e após receberem suas terras do governo, à cultivavam e assim começou a serem criadas as primeiras vilas. Uma das mais importantes vilas era Azambuja, que servia de corredor para quem ia para Urussanga, outro grande pólo receptor de imigrantes italianos. De Azambuja, subindo pelo Rio Cintra foi criado um núcleo que seria conhecido como Quadro, devido à sua forma de demarcação de terras. Este mesmo Quadro hoje é o centro de Treze de Maio, que assim como os municípios vizinhos, guarda nas tradições sua origem do norte da Itália. A ITÁLIA A Europa de 1850 a 1870 se transformou muito rapidamente do ciclo agrário para uma economia ligada ao ciclo industrial. Neste período, os índices de desenvolvimento avançaram muito. A produção industrial, o comércio internacional, e o próprio crescimento agrícola alcançaram níveis até então inesperados [...] O capitalismo precisava de outras áreas que fornecessem matéria-prima, ao mesmo tempo que comercializava sEus produtos. Para isso necessitava deslocar o excesso de mão-de-obra agrícola, na fase de modernas transformações, para onde se tornaria produtiva e ao mesmo tempo um mercado consumidor (VITTORETTI, 1992, p. 252). Entre 1840 e 1870, acontecia na Itália as últimas etapas da Unificação Italiana, e a população camponesa participou com sua cota de sacrifícios, principalmente no norte da Península, que fora o principal palco das guerras de domínio das potências da época (Áustria e França). O custo dessa unificação e reconstrução foi alto e uma crise social no campo deu início à Grande Emigração. A sociedade camponesa do Norte da Itália estava radicada à terra que era vista como único meio de sobrevivência, mas a agricultura era pobre, mal preparada e não conseguia suprir as suas necessidades. Por isso, os adultos aptos se deslocavam para outras regiões da Itália ou outros países europeus para reforçar o minguado orçamento familiar. A moral e a ética camponesa era a moral da Igreja Católica. De acordo com Vittoretti (1992, p. 255), a América significava muita terra, onde pudessem cultivar sem o patrão, explorador do seu trabalho e a vida na angustiante pobreza. Para lá se apontava a fortuna, a riqueza e a independência. A febre da emigração se alastrou por todos os recantos e cabanas do norte da Itália. Mas para que este êxito acontecesse de forma tão abrangente e impetuosa, houve a contribuição de outro fator: a lei nº 3784 de 1867, dando garantia aos colonos, abrindo novos horizontes para o ingresso de imigrantes no Brasil. Reunidos em pequenas famílias defronte à igreja para a dolorosa separação dos parentes e amigos que ficavam, os emigrantes recebiam as bênçãos do padre. Levados até a estação por conduções de tração animal, onde o trem os conduziria até o porto. No barco de terceira, amontoados, rigorosamente separados homens de mulheres e uma lotação de 800 pessoas onde só caberiam 500 eram enviados para Florianópolis e dali para Laguna. A CHEGADA EM TERRAS CATARINENSES Em abril de 1877 chegaram os primeiros imigrantes ao porto de Laguna, de onde subiram o Rio Tubarão com barcos movidos a remo ou puxados por cordas. Ao chegarem em terras brasileiras, foram abrigados num barracão usado pelos tropeiros para guardar arreios, bruacas e mulas. Eles haviam vendido seus minguados bens e o pouco apurado tinham gasto na viagem. Sentiam a sensação do desamparo e do abandono em plena floresta que só imaginavam nas fábulas infantis. Não era essa a imagem que havia se formado com as propagandas na Europa, sentiram-se logrados pelas mentiras, e não havendo outra alternativa, obedeceram e puseram-se ao trabalho por um motivo maior: a sobrevivência. Em 1877, e engenheiro Joaquim Vieira Ferreira, com sua família, instalou-se às margens do Pedras Grandes, a fim de dirigir o povoamento das cabeceiras do Rio Tubarão com imigrantes italianos, fundando-se, com a chegada, a 28 de abril daquele ano, dos 291 imigrantes, oriundos de Treviso, Verona e Mantua, a Colônia de Azambuja (CABRAL, 1970, P.239). Vendo-se em pequena clareira, no meio da mata virgem, os colonos revoltam-se, alegando terem imigrado para cultivar terras e não para cortar árvores e derrubar florestas. De acordo com SACHET (1997, p.125), no primeiro semestre, cada adulto pôde trabalhar quinze dias por mês nas atividades comunitárias, como a construção de estradas, recebendo 11 mil réis, ou seja, onze liras, a metade do que recebia por mês de trabalho, quando ainda na Itália. Quando marcaram os lotes rurais, também se traçou o centro urbano de Azambuja. Aquele local era privilegiado, pois era passagem obrigatória para os imigrantes chegarem na colônia de Urussanga e seus núcleos (Treze de Maio era um deles), e também próximo da estação de trem de Pedras Grandes. O local se tornou um pequeno centro comercial que abastecia e intermediava os colonos. Como centro da colônia, teve seu auge em 1900, quando foi elevada à categoria de Distrito de Paz, incluindo o núcleo Treze de Maio. Com o passar dos anos, as rotas forma se alterando. Urussanga abre caminho direto para a Estação de Pindotiba, Treze de Maio cortas estradas para Tubarão, e Azambuja, aos poços foi se isolando, cedendo lugar de destaque a Pedras Grandes, servida por Via Férrea e passagem da secular Estrada dos Tropeiros, iniciada em 1773. DE QUADRO A TREZE DE MAIO Na cidade que foi colonizada basicamente por italianos, por volta de 1887, o engenheiro Augusto Fausto Souza Júnior e o agrimensor Antônio Lopes Mesquita mediram as terras devolutas. Treze de Maio era denominação do núcleo da Colônia de Azambuja. O quadro era uma pequena área de terra reservada pela diretoria de Terras e Colonização encravada no limite leste do núcleo. Os imigrantes entraram neste núcleo por Azambuja, subindo pela estrada que acompanhava o Rio Cintra. Começaram a povoar o núcleo, ocupando lotes rurais, previamente demarcados para recebê-los. O Rio Coruja, hoje Santa Cruz, era a principal passagem desses imigrantes que não se aglomeraram, espalhando-se nas diversas linhas (VETTORETTI, 1992, p.287). O historiador Amádio Vettoretti (1992, p.288) também relata que o nome nada tem a ver com a libertação dos escravos que, por ventura, também aconteceu no dia 13 de maio, até porque nas colônias que ora em diante se fundassem, era expressamente proibido a presença de escravos, sob qualquer pretexto. Por muito tempo, versões erradas baseadas na dedução de um desconhecido historiador confundiram a verdadeira origem da cidade e da população de Treze de Maio. Hoje sabemos que o Núcleo Presidente Rocha, primeiro nome da localidade, depois substituído pelo topônimo Treze de Maio, foi um prolongamento da Colônia de Azambuja, limitando-se ao Leste e Sudeste com a Sesmaria dos Medeiros cujo limite (travessão) atualmente é marcado pela Avenida Sete de Setembro. Foi fundado em 1887 pela Comissão de Terras e Colonização na pessoa do Engenheiro Francisco Ferreira Pontes. A Comissão era o órgão encarregado de medir e demarcar lotes rurais, receber os imigrantes e assenta-los em seus lotes, dando-lhes assistência nos primeiros meses. O levantamento topográfico finalizou-se em 1885, sob a chefia do Eng° Reginaldo Candido da Silva. Área inicial discriminada para a demarcação dos lotes rurais: 3.586 hectares. Para a sede (centro) deste novo núcleo foi reservado um quadro de 121 hectares. É o tão badalado quadro que originou a distorção na redação da história e que nunca foi nome do lugar e sim um apelido utilizado na época. Era um retângulo de 1.100 x 2.200 m², exatamente quatro lotes rurais. Segundo a errônea história contada no passado, o quadro era uma área destinada aos ex-escravos, os quais não gostando do local, o abandonaram. Os italianos teriam ocupado o terreno dali em diante e em homenagem a data da abolição, denominaram de Treze de Maio, mas sabemos que o Governo não concedeu nenhuma terra aos libertos. A Lei Área simplesmente aboliu a escravidão deixando os libertos sem terra, sem teto e ao desamparo (VETTORETTI, 1992, p.290). Ademais o Núcleo Presidente Rocha, fundado em 1887, antes da abolição, sediou os pioneiros predominantes italianos, seguidos de nacionais e alguns alemães, sem a participação de mão de obra escrava. A população naquele ano chegou a 469 habitantes. Também não faz sentido a versão que no dia 13 de maio aconteceu o encontro dos italianos com os brasileiros no quadro, pela simples constatação que o nome dado na fundação era Presidente Rocha em homenagem ao presidente da Província de Santa Catarina Francisco José da Rocha. A denominação da tão confusa data é posterior à fundação do Núcleo. Os Italianos Giovani Bonelli e Luigi Formentin lideraram, em 1892, a construção da primeira Capela do quadro, feita de ripas de palmito, coberta de palha e amarrada com cipós, por este ato foram considerados fundadores de Treze de Maio. Um fato considerado importante para o historiador Amadio Vetoretti é que Treze de Maio foi fundado no ano de 1887, um ano antes da abolição da escravatura, sendo que nunca existiram escravos na área de Treze de Maio. REFERÊNCIAS CABRAL, Oswald R. História de Santa Catarina. Florianópolis: Laudes, 1970. FONTANA, Germano B. História da Minha Vida: memória, imigrações e outros fatos. Florianópolis: Agnus, 1998. SACHET, Sérgio. Santa Catarina: 100 anos de história. Florianópolis: Século Catarinense, 1997. VETTORETTI, Amadio. História de Tubarão: das origens ao século XX. Tubarão: Incopel, 1992. www.trezedemaio.sc.gov.br

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