Lauro Muller / História
Colonização James Watt viveu no Reino Unido entre 1736 e 1819 na era do desenvolvimento da máquina a vapor. Foi matemático, engenheiro e construtor de instrumentos científicos. Destacou-se pelos melhoramentos que introduziu no motor a vapor que constituiu-se num passo fundamental para a revolução industrial do século XIX. Com as melhorias implementadas por Watt no motor a vapor de Newcomen, o carvão mineral tornou-se um precioso produto gerador de energia barata capaz de movimentar maquinários para a industrialização, além de baratear a logística no transporte sobre trilhos e sobre águas. Barcos e locomotivas a vapor passaram a circular em várias partes do mundo, tendo como combustível principal o precioso carvão mineral. Não foi por outro motivo que o governo brasileiro, ao tomar conhecimento da existência de carvão em terras catarinenses, resolveu enviar equipes de geólogos, técnicos e engenheiros contratados de países europeus para constatar a veracidade das informações. A descoberta das jazidas carboníferas data de 1841 quando o Dr. Júlio Parigot, comissionado pelo Governo, visitou a região, em estudos geológicos. Os primeiros indícios da existência de hulha negra foram dados em Laguna por tropeiros, procedentes do planalto serrano, que estacionavam na localidade de Barro Branco. Juntando pedras, usando-as como pequenos fogões improvisados, notaram que muitas delas ardiam, logo ao iniciar a combustão. Em 1861, o Governo celebrou contrato com o Visconde de Barbacena para a lavra de carvão mineral, numa área de duas léguas quadradas, várias vezes prorrogado e finalmente iniciado em 1880, produzindo pequena escala. Em 1874, o Governo Imperial, por solicitação do Visconde de Barbacena, deu a um grupo inglês a concessão para construir a Estrada de Ferro Dona Tereza Cristina, concluída em setembro de 1884 e inaugurada em janeiro do ano seguinte. Este fato de suma importância para a região motivou a exploração da primeira mina de carvão, no Quilômetro Um. Assim surgiu a localidade conhecida então por Estação das Minas, hoje Lauro Müller. A 25 de setembro de 1905, a então Estação das Minas passou a ser denominada Lauro Müller, homenagem do engenheiro Álvaro Rodovalho Marcondes dos Reis ao então Ministro da Indústria, Viação e Obras Públicas, Lauro Severiano Müller. Em maio de 1916, Henrique Lage reiniciou os trabalhos de extração do carvão, trazendo o engenheiro suíço Walter Veterlli, a fim de proceder a sondagem e conhecer as possibilidades das jazidas. Foi o mesmo nomeado gerente das então Minas de Lauro Müller, iniciando a exploração de carvão na localidade de Barro Branco. A construção da estrada de ferro interligando-nos ao porto de Imbituba; e com a exploração da mina do Quilômetro Um, motivou a vinda de muitas famílias para esta região agora bem dotada de empregos e facilidades de locomoção e transporte da produção da agricultura familiar. Assim surgiram os primeiros mineiros e a colonização agrícola também foi intensificada. Famílias de comunidades vizinhas, de várias etnias, vieram fazer parte da história desta cidade. A mina do Quilômetro Um foi a primeira mina de carvão mineral do Brasil, o que dá a cidade de Lauro Müller o título de Pioneira na extração do Carvão Nacional. Histórico Político A tarefa de conseguir separar o então distrito de Lauro Müller do município de Orleans não foi nada fácil. Primeiro foi necessário conquistar a maioria dos votos na Câmara de Vereadores de Orleans. E foi no dia 23 de outubro do ano de 1956, que a Resolução nº 89 foi aprovada em primeiro turno, por cinco votos a favor e 4 contrários. Mas era preciso uma segunda e última votação e essa aconteceu no dia 25 do mesmo mês e voltou e receber os cinco votos favoráveis. Desta vez os quatro vereadores que votaram contra na primeira votação, abstiveram-se, ou seja, deixaram de votar. Votaram pela emancipação do distrito de Lauro Müller, os vereadores Estevão Querino Tournier; Evaldo Scharf Cardoso; José Cavalcante de Albuquerque; Manoel Antunes e Venício Campos. Mas não era só isso. Ainda era preciso que os deputados estaduais, também aprovassem essa divisão. E foi assim, no clima das festas de natal daquele ano de 1956, que, em 6 de dezembro, o então Presidente da Assembléia Legislativa, Deputado Paulo Konder Bornhausen, promulgou a lei nº 273 "que Cria o Município de Lauro Müller". A primeira batalha era, então, vencida. Lauro Müller fora fecundada; já existia nos papéis; mas para nascer, de fato, precisava ser instalada. Foi o então Governador Jorge Lacerda, pelo decreto nº 60 de 11 de janeiro de 1957, quem fixou a data de 20 de janeiro daquele ano, para a instalação do município de Lauro Müller. No mesmo dia, 11 de janeiro de 1957, o Governador Jorge Lacerda assinou portaria nomeando o primeiro mandatário de Lauro Müller. Às 11 horas da manhã do dia previsto, 20 de janeiro de 1957, na presença do Vice-Governador Heriberto Hülse, na sua sede provisória - uma sala cedida pela então Companhia Barro Branco - aconteceu o ato de instalação do novo município e a posse do Prefeito Provisório Izaac Bertoncini. Nascia Lauro Müller. Agora era necessário organizar a administração e, para isso, tinha que eleger o primeiro prefeito e os primeiros vereadores. A primeira eleição aconteceu no dia 12 de maio de 1957 e no dia 23 de junho foram empossados como prefeito, o senhor Flávio Righetto e os primeiros vereadores: Alexandre Doneda, Benjamin Bittencourt Barreto, Fernando Estevam, Gil Ivo Losso, Octávio Belmiro, Orestes Righetto e Valmor Jung. Presidiu a Câmara de Vereadores, nesta primeira legislatura, o Vereador Orestes Righetto.
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